Mais de 596 mil trabalhadores baianos podem ser beneficiados com fim da escala 6×1, aponta MTE
Segundo dados do Ministério do Trabalho, mais de 32% dos trabalhadores da Bahia atuam com apenas um dia de descanso semanal
Mais de 596 mil trabalhadores baianos atuam atualmente em jornadas com apenas um dia de descanso semanal e poderiam ser beneficiados com o fim da escala 6×1 no Brasil, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Segundo o levantamento, atualmente o estado possui mais de 1,2 milhão trabalhadores inseridos no modelo 5×2, o que representa 67,48% do total analisado. Outros 32,52% seguem submetidos à escala 6×1, modelo comum em setores como comércio, serviços e atendimento.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força nacionalmente após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas em uma transição de um ano.
Além disso, o projeto de lei também garante dois dias de descanso remunerado sem redução salarial, que passarão a valer 60 dias após a lei entrar em vigor, caso seja aprovada. Durante pronunciamento no Dia do Trabalhador, Lula afirmou que o atual modelo de trabalho não acompanha mais a realidade do século XXI.
O presidente também defendeu que a mudança pode garantir mais tempo para descanso, convivência familiar, lazer e atividades culturais, especialmente para trabalhadores que enfrentam dupla jornada.
Essa discussão também envolve impactos na saúde dos trabalhadores que, segundo estudos da Organização Internacional do Trabalho, as jornadas excessivas podem aumentar casos de estresse, ansiedade, doenças cardiovasculares e afastamentos por adoecimento. Segundo a entidade, modelos com maior equilíbrio entre trabalho e descanso tendem a melhorar a qualidade de vida e até a produtividade.
A comissão especial da Câmara dos Deputados responsável por analisar o fim da escala 6×1 iniciará, nesta quarta-feira (27), a sessão que vai votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Para aprovação, serão necessários pelo menos 308 votos dos 513 deputados federais, em dois turnos de votação.