Fórum de Vitória da Conquista receberá Machado de Xangô em cerimônia no dia 12 de novembro
Ação faz parte de projeto estadual que busca ampliar a representatividade das religiões de matriz africana em instituições do sistema de Justiça.
14:24 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
Compartilhe esta notícia
O Fórum Dr. Sérgio Murilo Nápoli Lamêgo, em Vitória da Conquista, receberá, no dia 12 de novembro, às 14h, a cerimônia de instalação do Oxé, símbolo religioso conhecido como Machado de Xangô.
A solenidade é organizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) e pelas casas de tradição afro-brasileira Ilê Axé Opô Yanguí e Ilê Axé Ogunté.
A iniciativa integra o Projeto 12 Machados de Xangô, conduzido pela OAB-BA em parceria com o TJBA, que prevê a instalação do símbolo em 12 comarcas e espaços do sistema de Justiça baiano. A proposta busca ampliar o reconhecimento das religiões de matriz africana nas instituições e promover o enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.
Antes de chegar a Vitória da Conquista, o símbolo foi instalado em outros espaços do Judiciário estadual. Em maio de 2025, a sede do TJBA, em Salvador, recebeu um Oxé doado pela Casa Ilê Axé Oxumarê, por intermédio da OAB-BA. Em outubro do mesmo ano, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5) também recebeu a peça.
Em setembro deste ano, o projeto chegou ao interior do estado, com a instalação de um Machado de Xangô no Fórum Clemente Mariani, em Camaçari. A peça foi doada pelo Terreiro de Lembá, comunidade tradicional de matriz africana localizada no município. A cidade foi a primeira comarca do interior baiano a receber o símbolo.
Com duas lâminas, o machado é um dos símbolos de Xangô, orixá associado à Justiça nas tradições de matriz africana. Sua representação está ligada à ideia de equilíbrio na tomada de decisões e à busca pela verdade. A presença do Oxé em um fórum também estabelece um diálogo entre as instituições do sistema de Justiça e as religiões de matriz africana.
A ação também dialoga com a Resolução nº 440/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que instituiu a Política Nacional de Promoção à Liberdade Religiosa e Combate à Intolerância no âmbito do Poder Judiciário brasileiro.