Vitória da Conquista: Gabriela Garrido denuncia violência política de gênero após ataques
Vereadora afirma que ofensas foram divulgadas em redes sociais e que os ataques partiram de um servidor da Câmara Municipal
16:07 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
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A vereadora e delegada Gabriela Garrido (PV) afirmou ter sido vítima, pela segunda vez em pouco mais de um ano de mandato, de violência política de gênero. Segundo a parlamentar, os novos ataques ocorreram após o resultado das Eleições Gerais 2026, quando ela concorreu ao cargo de deputada federal, e foram divulgados em redes sociais e grupos de aplicativos de mensagens.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora afirmou que o episódio tem um agravante. Segundo ela, os ataques teriam partido de um servidor da própria Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
“Pela segunda vez em pouco mais de um ano de mandato, fui vítima de violência política de gênero. Dessa vez, com um agravante que me causa ainda mais indignação: os ataques partiram de um servidor desta própria Casa Legislativa”, escreveu.
Gabriela Garrido também chamou atenção para o fato de os ataques terem partido de uma pessoa que exerce função dentro da própria Câmara Municipal. Durante pronunciamento na tribuna, ela afirmou que o autor das manifestações foi identificado pelas iniciais C.R.S. e seria um servidor comissionado do Legislativo, lotado em um gabinete parlamentar.
De acordo com ela, divergências políticas são legítimas, mas não podem ser usadas como justificativa para ofensas relacionadas à condição de mulher.
“A política é feita de divergências. Podemos pensar diferente, defender projetos diferentes e ocupar lados diferentes. O que não podemos aceitar é que uma mulher seja atacada e desrespeitada por ocupar o seu espaço”, afirmou.
Ao abordar o episódio, Gabriela criticou o que considera resistência ao surgimento de novos nomes na política e à participação feminina nos espaços de poder. A parlamentar defendeu que a renovação política faz parte do processo democrático e afirmou que não considera legítimo que uma mulher seja alvo de ofensas por disputar um espaço de representação.
Bancada Feminina presta solidariedade
A Bancada Feminina da Câmara Municipal manifestou apoio à vereadora e repudiou qualquer forma de violência política de gênero, misoginia, intimidação, humilhação ou tentativa de silenciamento de mulheres no exercício de funções públicas.
Em nota institucional, a bancada afirmou que críticas, discordâncias e posicionamentos políticos fazem parte do debate democrático, mas que ataques pessoais com o objetivo de constranger, intimidar ou silenciar uma mulher em razão de sua atuação pública ultrapassam os limites da crítica política.
A manifestação também defendeu a apuração dos fatos e a adoção de providências no âmbito da Câmara, considerando que o envolvido apontado por Gabriela ocupa cargo comissionado na Casa.
Segundo episódio durante o mandato
Este é, segundo Gabriela, o segundo episódio de violência política de gênero enfrentado por ela desde que assumiu o mandato na Câmara Municipal.
A vereadora tomou posse em agosto de 2025, após decisão da Justiça Eleitoral que resultou na cassação dos votos do Avante por fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024 e na consequente perda do mandato de Natan da Carroceria.
Em 2026, Gabriela passou a exercer a liderança da Bancada Feminina da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, função que reforça sua atuação em pautas relacionadas aos direitos das mulheres.
Lei prevê combate à violência política contra a mulher
A Lei Federal nº 14.192/2021 estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. A legislação prevê medidas para assegurar a participação feminina na política e considera violência política contra a mulher ações, condutas ou omissões que tenham como objetivo impedir, dificultar ou restringir seus direitos políticos.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) também mantém um Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência Política contra a Mulher, voltado à prevenção e ao combate desse tipo de violência.
Providências legais
Diante da situação, Gabriela Garrido informou que já adotou as providências legais cabíveis para a apuração dos fatos e eventual responsabilização do autor das manifestações.
A vereadora afirmou que continuará exercendo o mandato e sua atuação pública normalmente, sem se intimidar diante dos ataques relacionados à sua participação política.