Prefeita de Vitória da Conquista contesta alegação de perseguição política de Diogo Azevedo após perda de mandato
Sheila Lemos afirma que vereador recebeu apoio político do grupo e havia sido alertado sobre o risco de perder a cadeira ao deixar o União Brasil
19:45 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
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Na última quinta-feira (24), a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), comentou a perda do mandato do vereador Diogo Azevedo (PSDB) e contestou a alegação de que o parlamentar teria sido vítima de perseguição política. A declaração foi dada durante entrevista à Band FM Conquista, no programa Jornal BandNews.
Segundo a prefeita, o parlamentar deixou o União Brasil mesmo tendo sido alertado sobre o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. O vereador foi eleito em 2024 pela legenda e, em 2026, deixou o partido para se filiar ao PSDB.
A desfiliação foi questionada na Justiça Eleitoral pelo primeiro suplente do União Brasil, Alisson Roberto Seles Sá, conhecido como Alisson da Educação, que reivindicou a cadeira ocupada por Diogo.
Durante o processo, a defesa de Diogo alegou que a saída do União Brasil ocorreu por perseguição política e discriminação dentro do partido. O vereador também afirmou que teria recebido respaldo da legenda para deixar a sigla e se filiar ao PSDB.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), no entanto, manteve a decisão que determinou a perda do mandato. Os embargos de declaração apresentados pela defesa foram rejeitados por unanimidade.
Ao comentar a justificativa apresentada por Diogo Azevedo, Sheila Lemos contestou a alegação de perseguição política e afirmou que o vereador recebeu apoio do grupo durante sua trajetória política. Segundo a prefeita, ele havia ocupado o cargo de diretor-presidente do Hospital Esaú Matos antes de disputar a eleição municipal e contou com o apoio da administração durante a campanha.
“Diogo coloca que ele saiu do União Brasil porque estava sendo perseguido, enquanto ainda vereador do União Brasil. Mas perseguido como? Ele foi diretor-presidente do Esaú Matos, saiu para concorrer à eleição com o meu apoio, o apoio do governo e dos secretários”, afirmou.
Sheila também citou os recursos recebidos pelo parlamentar durante a campanha eleitoral de 2024. Segundo a gestora, o diretório nacional do União Brasil destinou cerca de R$ 88,6 mil para a candidatura do vereador.
A prefeita afirmou que o financiamento partidário teve papel importante na campanha e defendeu o entendimento de que, no sistema proporcional, o mandato está vinculado à legenda.
“Fizemos uma belíssima campanha. Ele, inclusive, só conseguiu ser vereador porque o partido disponibilizou o recurso financeiro. A população em si não tem esse conhecimento de que o mandato é do partido e não do vereador, justamente por isso, por causa do recurso. É do partido, a cadeira é do partido. O vereador empresta o nome, é isso que acontece”, destacou.
Sheila Lemos também afirmou que o vereador teria sido alertado diversas vezes sobre as consequências de deixar o União Brasil sem autorização da direção partidária. Segundo ela, Diogo Azevedo tinha conhecimento de que a desfiliação poderia resultar na perda da cadeira.
“Ele sabia e ele foi avisado: ‘Não saia, que é loucura, você vai perder o seu mandato’. Diversas vezes ele falou o quê? ‘Ah, não. Isso está acordado lá por cima’. Lá por cima por onde? Eu não sei como funciona no PSDB, mas no União Brasil o Diretório Municipal é respeitado”, disse.
A saída de Diogo do União Brasil ocorreu em meio a mudanças no cenário político de Vitória da Conquista. O vereador passou a integrar o PSDB, enquanto o grupo de Sheila Lemos passou a apoiar a candidatura de seu marido, Wagner Alves (União Brasil), para deputado estadual. A mudança gerou divergências entre integrantes do União Brasil e do PSDB no município.
Após a decisão do TRE-BA, Diogo informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A defesa também poderá buscar uma medida liminar para tentar suspender os efeitos da decisão.