Prefeitura de Vitória da Conquista cria comitê permanente para enfrentar emergências climáticas
Estrutura deve coordenar ações diante de chuvas intensas, estiagem, baixa umidade e ondas de calor.
19:03 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
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A Prefeitura de Vitória da Conquista criou um comitê permanente para coordenar ações em situações de emergência climática, como chuvas intensas, alagamentos, ondas de calor, baixa umidade, ventos fortes e períodos de estiagem. A medida foi oficializada pelo Decreto nº 24.451/2026, publicado no Diário Oficial do Município.
O grupo reúne representantes de diferentes setores da Prefeitura e será responsável por integrar o trabalho de prevenção, monitoramento e resposta a eventos que possam afetar a população. Segundo o governo municipal, a proposta é evitar que cada órgão atue de forma isolada durante uma emergência.
“O objetivo foi condensar em um único decreto a composição do Comitê de gerenciamento de Crise das secretarias envolvidas, para que o tempo de resposta aos atendimentos de emergências sejam executados de forma coordenada, integrada e que sejam mais eficientes”, explicou Cristóvão Lemos, secretário municipal de Segurança Pública e Defeso Social.
Entre as principais atribuições estão:
- Acompanhamento das condições meteorológicas, hidrológicas, geológicas e oceanográficas;
- Identificação de áreas de risco;
- Integração das ações dos órgãos municipais;
- Criação de propostas de medidas preventivas e reparadoras para reduzir danos à população e ao patrimônio.
De acordo com o texto, o comitê poderá ser acionado a qualquer momento pela Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (SMSP). A ativação também ocorrerá automaticamente quando o município declarar uma situação de emergência pluviométrica ou climática ou um alerta climático.
Quais ações poderão ser priorizadas?
Quando o comitê for acionado, os órgãos municipais poderão priorizar serviços como limpeza e desobstrução de sistemas de drenagem, manutenção de vias e estruturas públicas, monitoramento de áreas de risco e preparação de locais para abrigamento temporário.
Também estão previstas a atualização dos planos de contingência, ações de comunicação e alerta à população e atividades educativas para prevenção de desastres.
O secretário de Meio Ambiente, Diêgo Gomes, que poderá assumir a presidência do comitê na ausência do titular da SMSP, destaca que o trabalho deverá combinar resposta imediata e planejamento.
“Estaremos atuando para minimizar os possíveis efeitos climáticos para a população conquistense. Então, vamos atuar em levantamentos e dados para fortalecer o comitê, ao mesmo tempo em que nossa equipe estará a postos para o trabalho imediato”, afirmou.
A estrutura reúne cerca de 13 órgãos municipais, incluindo as áreas de segurança, meio ambiente, infraestrutura, educação, saúde, mobilidade, assistência social e desenvolvimento rural, além da Defesa Civil.
De acordo com o decreto, órgãos estaduais e federais de segurança pública e empresas responsáveis por serviços de energia, água e saneamento também poderão ser convidados a participar quando houver necessidade de atuação conjunta.
Seca preocupa comunidades da zona rural
Além das chuvas, a estiagem e a insegurança hídrica estão entre as situações que fazem parte do planejamento do município. O problema é considerado mais complexo em razão da extensão territorial de Vitória da Conquista e da distância de algumas comunidades em relação à sede.
O engenheiro civil da Defesa Civil, Gabriel Queiroz, explica que algumas localidades ficam a até 90 quilômetros da área urbana. “Temos localidades que estão a 80, 90 quilômetros da sede e uma população bastante vulnerável em relação à insegurança hídrica”, disse.
O órgão também pretende ampliar o trabalho preventivo diretamente com as comunidades rurais. A coordenadora municipal da Defesa Civil, Rosa Freitas, afirma que os moradores já estão sendo orientados e que o município também deverá buscar recursos estaduais e federais para reforçar o atendimento durante períodos prolongados de seca.
“Precisaremos procurar recursos nas esferas estadual e federal para carros-pipa e ajuda humanitária, porque sabemos que isso vai ter impacto na lavoura e precisaremos dar assistência ao pessoal da zona rural”, disse.
Segundo o secretário Breno Farias, nos últimos três anos foram construídas, em média, 400 novas aguadas por ano, além da limpeza de outras 400 estruturas existentes, com o objetivo de aumentar a capacidade de armazenamento de água durante os períodos de chuva para enfrentar a estiagem.
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura, o município distribui aproximadamente 9 milhões de litros de água potável por mês por meio de carros-pipa para comunidades rurais. Com a possibilidade de prolongamento do período seco, a Secretaria de Desenvolvimento Rural avalia aumentar esse volume.
Ondas de calor e baixa umidade também serão monitoradas
De acordo com o governo municipal, a atuação da estrutura não ficará restrita a situações de chuva ou seca. O planejamento também considera variações atípicas de temperatura, umidade e ventos, incluindo períodos de baixa umidade e ondas de calor.
O município também acompanha possíveis alterações nos padrões climáticos associadas ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que pode influenciar os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões.
A proposta do comitê é, portanto, manter uma estrutura permanente de acompanhamento para que o município consiga agir antes e durante situações de risco, reunindo informações, órgãos e recursos para reduzir os impactos sobre a população.
Além disso, a Coordenação Municipal de Proteção e Defesa Civil terá papel central no funcionamento do comitê. O órgão continuará acompanhando as condições meteorológicas e as áreas vulneráveis e utilizando informações de instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A atuação, segundo Cristóvão Lemos, deve ocorrer de forma preventiva. “A Defesa Civil estrutura suas ações por meio de Plano de Contingência municipal formalizado. Então, o Comitê não é apenas reativo, não se reúne somente depois do evento para balanço e intervenção”, afirmou.
Além das ações municipais, estão previstos encontros para ampliar o planejamento. Representantes da Defesa Civil participarão de um seminário em Brasília sobre atuação das coordenações de Defesa Civil, enquanto outro seminário, previsto para novembro em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba), deverá discutir medidas de prevenção e enfrentamento aos eventos climáticos.