Vitória da Conquista registra mais de 5 mil acidentes com serpentes e ocupa 2º lugar na Bahia
Estado contabilizou mais de 170 mil casos no período de 2021 a 2026.
17:11 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
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Vitória da Conquista aparece entre as cidades da Bahia com maior número de acidentes envolvendo picadas de serpentes peçonhentas. Entre 2021 e 2026, o município registrou 5,2 mil casos, segundo levantamento feito a partir de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
O número coloca a cidade na segunda posição do ranking estadual, atrás apenas de Feira de Santana, que contabilizou cerca de 5,5 mil ocorrências no mesmo período. Ao todo, a Bahia registrou mais de 170 mil acidentes causados por serpentes peçonhentas entre 2021 e 2026.
A maioria dos registros envolve situações em que a espécie da cobra não foi identificada pela vítima ou pelos serviços de atendimento, com mais de 160 mil notificações. Outras cidades do interior da Bahia também concentram grande quantidade de ocorrências.
Jequié aparece em terceiro lugar, com cerca de 3,8 mil casos, seguida por Irecê, com mais de 2,8 mil, e Barreiras, com 2,5 mil registros. O ranking dos dez municípios baianos com mais acidentes também inclui Guanambi (1.970 casos), Poções (1.911), Seabra (1.876), Caetité (1.853) e Ipiaú (1.824).
Apesar de ser o município mais populoso do estado, Salvador não aparece entre as dez cidades com maior número de ocorrências. A capital ocupa a 28ª posição, com cerca de 1,3 mil casos registrados desde 2021.
Entre as espécies identificadas nos registros, as serpentes do gênero Bothrops, grupo que reúne animais conhecidos popularmente como jararacas, caissacas, cotiaras e urutus, foram responsáveis por mais de 10 mil notificações em todo o estado entre 2021 e julho de 2026.
Na sequência aparecem as serpentes do gênero Crotalus, conhecidas como cascavéis, com 1,3 mil registros no estado. Já as cobras do gênero Micrurus, popularmente chamadas de corais, tiveram 305 notificações. Os casos envolvendo surucucus, do gênero Lachesis, foram menos frequentes, com 97 registros no período analisado.
O que fazer em caso de acidentes envolvendo picadas de serpentes peçonhentas?
O Ministério da Saúde orienta que, após uma picada de cobra, a vítima seja afastada do animal e mantenha a calma. Também é recomendado retirar objetos como anéis, pulseiras e calçados que possam apertar a região atingida.
Se possível, o local da picada deve ser lavado com água e sabão, e a pessoa deve ser encaminhada o mais rápido possível para uma unidade de saúde de referência. Segundo o órgão, uma foto da serpente pode ajudar na identificação do animal.
Especialistas alertam que não devem ser feitos procedimentos como torniquetes, cortes ou tentativa de retirar o veneno da ferida. Essas práticas podem agravar o quadro da vítima.
Os sintomas podem variar conforme a espécie da serpente, mas os sinais mais comuns incluem dor intensa, inchaço, hematomas, náuseas, vômitos, alteração de sensibilidade, aumento da salivação e alterações na visão.
O tratamento das vítimas é realizado por meio da aplicação de soro antiofídico específico para cada tipo de veneno. Considerado o único método eficaz contra o envenenamento por serpentes peçonhentas, o soro deve ser administrado em ambiente hospitalar, com acompanhamento de profissionais de saúde.
Mesmo com o alto número de ocorrências, a maioria dos pacientes evoluiu para cura. Segundo os dados do Sinan, mais de 146 mil pessoas se recuperaram após acidentes com serpentes no período analisado. Ainda assim, cerca de 260 mortes foram registradas na Bahia, sendo a maioria associada a picadas de jararacas.
Para mais informações sobre acidentes ofídicos, acesse a página oficial do Ministério da Saúde.