Hospital Samur alia tecnologia e acolhimento no tratamento de prematuros em Vitória da Conquista
Equipamentos modernos e assistência humanizada contribuem para aumentar as chances de recuperação e desenvolvimento saudável de recém-nascidos atendidos na unidade.
19:35 Por Redação | Jornal Conquista
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Os avanços tecnológicos têm transformado os cuidados neonatais em todo o país e contribuído para o aumento da sobrevivência de bebês prematuros. Em Vitória da Conquista, essa realidade também pode ser observada nas unidades de saúde que contam com estruturas especializadas para atendimento neonatal.
Enquanto pesquisadores brasileiros desenvolvem ferramentas baseadas em Inteligência Artificial (IA) para identificar com maior precisão sinais de dor em recém-nascidos, hospitais da cidade já utilizam equipamentos modernos que auxiliam no acompanhamento e recuperação de bebês internados em unidades de terapia intensiva.
No Hospital Samur, por exemplo, a UTI Neonatal dispõe de incubadoras que mantêm temperatura e umidade controladas, contribuindo para a manutenção da normotermia, além de monitores multiparamétricos que permitem o acompanhamento em tempo real dos sinais vitais.
A unidade também conta com tecnologias voltadas para o suporte respiratório, administração segura de medicamentos e oferta de nutrição parenteral manipulada e individualizada, recurso utilizado principalmente em bebês prematuros que ainda não conseguem se alimentar de forma convencional.
Fabrício Santos, coordenador da UTI Neonatal do Hospital Samur, destaca que a tecnologia tem papel fundamental na assistência aos recém-nascidos, mas não pode se sobrepor ao acolhimento das famílias.
“As mães são acolhidas pela equipe multidisciplinar para que o período de internamento seja mais leve, o que fortalece o elo com a equipe. Além disso, são estimuladas a amamentar, assim como a fazer a ordenha do leite materno, que é especialmente importante para os prematuros porque contribui para a imunidade, reduz riscos de infecções, amadurece as células do intestino e favorece o desenvolvimento cerebral”, disse.
De acordo com o especialista, a combinação entre tecnologia e acolhimento contribui para o ganho de peso do bebê, redução do tempo de internação, menos complicações e o favorecimento de desenvolvimento neurológico saudável.
“O acolhimento às mães está diretamente ligado à sobrevivência e à recuperação dos bebês prematuros; elas são essenciais em todo o tempo”, ressaltou Fabrício Santos.
Avanços tecnológicos na neonatologia
Nas últimas décadas, os avanços da neonatologia permitiram ampliar significativamente as chances de sobrevivência de recém-nascidos prematuros. Hoje, bebês nascidos com apenas 22 semanas de gestação conseguem sobreviver graças à evolução dos equipamentos, protocolos médicos e cuidados especializados oferecidos pelas unidades neonatais.
Dados do relatório “Níveis e Tendências na Mortalidade Infantil”, publicado pelo Grupo Interagencial das Nações Unidas para Estimativas de Mortalidade Infantil (UN IGME), apontam que em 1990, o Brasil registrava 25 mortes neonatais para cada mil nascidos vivos, em 2024 esse índice caiu para sete óbitos a cada mil crianças nos primeiros 28 dias de vida.
A evolução da medicina também ampliou significativamente as chances de sobrevivência de recém-nascidos prematuros extremos. De acordo com o médico Guilherme Sant’anna, referência internacional na área, há algumas décadas, bebês nascidos com menos de 33 semanas de gestação tinham poucas perspectivas de recuperação.
Atualmente, graças aos avanços tecnológicos e aos novos protocolos de atendimento, crianças nascidas com apenas 22 semanas já conseguem sobreviver e se desenvolver de forma saudável. “Estamos progredindo e essa evolução, na minha visão, vai continuar com novas tecnologias, microtecnologias, mais conhecimento. Eu acredito que não só mais nenéns prematuros vão sobreviver, mas vão sobreviver com mais qualidade de vida”, destacou Guilherme Sant’anna.
Nesse contexto, o uso da IA surge como mais uma ferramenta capaz de revolucionar os cuidados neonatais. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com engenheiros da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), desenvolveram um sistema capaz de identificar com maior precisão os sinais de dor em recém-nascidos.
Durante quase dois anos, câmeras instaladas em incubadoras registraram expressões faciais dos bebês. As imagens passaram a compor um banco de dados analisado por inteligência artificial, que considera informações fisiológicas e a Escala Neonatal de Codificação Facial (NFCS, na sigla em inglês), utilizada internacionalmente para avaliar a dor em recém-nascidos.