Câmara de Vitória da Conquista aprova criação de cargos e sessão é marcada por críticas à falta de água e impactos das chuvas
Vereadores levaram à tribuna cobranças, críticas e posicionamentos sobre os principais problemas do município.
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, realizada nesta quarta-feira (29), foi marcada por debates sobre infraestrutura, abastecimento de água, saúde pública e a reestruturação administrativa proposta pelo Executivo municipal, com vereadores levando à tribuna cobranças, críticas e posicionamentos sobre os principais problemas do município.
Os impactos das chuvas na zona rural estiveram entre os assuntos mais recorrentes. O vereador Nelson de Vivi destacou os serviços de recuperação de estradas e vias em diferentes localidades. “As chuvas foram intensas e causaram muitos danos à malha viária, mas também são motivo de alegria, pois representam fartura para o nosso povo”, afirmou, ao relatar visitas a comunidades onde as intervenções já foram iniciadas.
Na mesma linha, o vereador Márcio de Vivi também ressaltou a importância das ações, ao lembrar os efeitos do período chuvoso. “A chuva é uma bênção, mas também traz transtornos, como os danos às estradas. Por isso, é fundamental o trabalho de patrolamento e cascalhamento”, pontuou.
Além das estradas, o abastecimento de água dominou parte significativa dos discursos. O vereador Subtenente Muniz chamou atenção para a falta de fornecimento em diversas comunidades. Ele classificou o problema como recorrente e cobrou explicações sobre a interrupção dos mutirões de carros-pipa. Já o vereador Edjaime Bibia foi mais incisivo ao tratar da situação. “É uma vergonha […] mais de 100 famílias sem água encanada na torneira”, declarou, ao relatar a realidade de moradores da zona rural.
A escassez hídrica também foi abordada pelo vereador Hermínio Oliveira, que defendeu investimentos estruturais como solução definitiva. “A solução para a escassez de água no município seria a construção da barragem do Rio Pardo”, afirmou, ao destacar a necessidade de ampliar a segurança hídrica da região.
Na área da saúde, também foram relatadas dificuldades no atendimento à população. O vereador Diogo Azevedo apontou problemas como a falta de medicamentos e dificuldades para realização de exames. “Não vejo necessidade nesse momento de aumentar os custos para o município”, disse, ao comentar a proposta de criação de novos cargos.
O tema, inclusive, foi o mais debatido da sessão. A Câmara aprovou um pacote de projetos que cria 64 novos cargos comissionados e promove uma reestruturação administrativa na Prefeitura. A proposta dividiu opiniões entre os parlamentares.
O vereador Alexandre Xandó criticou a medida e questionou as prioridades da gestão. “A prefeita quer criar cargos comissionados, mas não convoca os aprovados no concurso”, afirmou. A vereadora Leia de Quinho também se posicionou contra. “Não consigo enxergar nesse momento que esse aumento de cargos seja prioridade”, declarou.
Na mesma linha, a vereadora Márcia Viviane classificou a proposta como inadequada diante do cenário atual. “Isso não me convence, meu voto será contrário”, disse, ao apontar o impacto financeiro da medida.
Em defesa dos projetos, o líder do governo, vereador Edivaldo Ferreira Júnior, argumentou que a reestruturação é necessária para acompanhar o crescimento do município. Segundo ele, as mudanças seguem critérios legais e visam modernizar a administração pública.
Apesar das divergências e do debate político acalorado, o pacote foi aprovado com apoio de parte da oposição, garantindo maioria em plenário e consolidando as mudanças na estrutura administrativa do município.