Incêndios em setembro reforçam alerta durante estiagem em Vitória da Conquista
Novas ocorrências foram registradas em diferentes bairros; Semma contabilizou 169 focos e 32 incêndios combatidos em agosto
19:22 Por Kamile Cardoso Jornal Conquista
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Um incêndio registrado na terça-feira (15), em um terreno próximo a residências no bairro Boa Vista, voltou a chamar atenção para o risco de queimadas durante o período de estiagem em Vitória da Conquista. A ocorrência se soma a outros registros feitos ao longo de setembro e aos números contabilizados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) no mês passado.
Nos dias 4 e 5 de setembro, incêndios foram registrados nos bairros Espírito Santo, Petrópolis, Nossa Senhora Aparecida e Bruno Bacelar. Neste último, três brigadistas da Semma atuaram por mais de duas horas até controlar as chamas, por volta das 16h. No mesmo período, a equipe também trabalhou em um foco no Nossa Senhora Aparecida.
Em agosto, 169 focos foram registrados em diferentes pontos do município e 32 incêndios foram combatidos diretamente pela brigada municipal. As ocorrências alcançaram áreas como Serra do Periperi, Lagoa das Flores, zona rural, loteamentos e terrenos.
A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos favorece a propagação das chamas. A fumaça também pode atingir áreas urbanas e representar riscos à saúde respiratória.
A brigada da Semma possui sete profissionais e atua principalmente na prevenção e proteção da vegetação, fauna e flora. A equipe também apoia o Corpo de Bombeiros em ocorrências urbanas. O município dispõe de caminhões-pipa e de um veículo específico adquirido em 2024 para auxiliar nos trabalhos.
Ocorrências aumentam no período seco
Diante do cenário, a Semma tem realizado ações preventivas em áreas de vegetação. Na região da Serra do Periperi e da Reserva do Poço Escuro, foram executados serviços de limpeza, abertura de aceiros, reforço de cercas e instalação de placas contra o descarte irregular de lixo.
Na quinta-feira (10), a secretaria concluiu a limpeza de um trecho localizado no bairro Guarani. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Diêgo Gomes, 400 metros de aceiro foram feitos no local.
“Nós fizemos o aceiro, colocamos a placa de proibido jogar lixo, refizemos uma parte da entrada e também a cerca”, explicou Diêgo.
O aceiro cria uma faixa sem vegetação para dificultar a propagação das chamas. Após a limpeza, o material retirado é recolhido para evitar que permaneça na área.
O secretário também pediu a colaboração da população para reduzir os riscos de novos incêndios. Entre as orientações estão evitar o acúmulo de entulho e não utilizar fogo para eliminar lixo ou resíduos.
Ações tentam evitar novos focos
A Prefeitura começou a discutir ações relacionadas às condições climáticas e aos possíveis impactos do El Niño. No dia 10, representantes de diferentes secretarias participaram de uma reunião para avaliar o cenário e preparar medidas para o município.
Segundo a Defesa Civil, um plano de contingência está sendo elaborado com a participação das secretarias municipais. Também foi criado o Comitê Municipal de Prevenção, Controle e Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos (Comitê Previncêndios), por meio do Decreto nº 24.421/2026.
Coordenado pela Semma, o comitê terá entre suas atribuições o planejamento de ações preventivas, monitoramento, identificação de áreas de risco, campanhas de conscientização e treinamento.
El Niño também é monitorado
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pode provocar alterações nos padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões.
O professor titular de Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Rosalve Marcelino, explica que os efeitos do fenômeno variam conforme as características de cada região. No Nordeste, uma das possibilidades é a intensificação das condições de seca já existentes.
Ao analisar especificamente Vitória da Conquista, Rosalve ressalta que a intensidade do El Niño não significa necessariamente que as temperaturas da cidade estejam fora do comportamento histórico. O município possui registros climáticos desde 1934, o que permite comparar as condições atuais com outros períodos.
O professor também destaca que os impactos tendem a ser maiores em regiões com maior vulnerabilidade e dependência da atividade agrícola. Para ele, a estrutura disponível em cada local influencia a capacidade de enfrentar períodos de alterações climáticas.
“Dá tempo sim de criar esse escudo, no sentido de proteger a população”, afirmou Rosalve, ao defender a adoção antecipada de medidas preventivas.
Com os registros recentes e a continuidade do período de estiagem, o município mantém as ações de prevenção e monitoramento para reduzir os riscos de novos incêndios.