Estudante da Uesb é finalista de seleção do Profissão Repórter e destaca força do jornalismo do interior
Da Chapada Diamantina para o cenário nacional, Pedro Novaes transforma tradição cultural do interior baiano em reportagem finalista de seleção ligada ao programa Profissão Repórter, da TV Globo.
19:52 Por Redação | Jornal Conquista
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O estudante de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Pedro Henrique Novaes, ganhou destaque nacional ao ser selecionado como finalista do “Profissão Repórter Procura”, iniciativa ligada ao programa da TV Globo comandado pelo jornalista Caco Barcellos.
A reportagem produzida por Pedro aborda o Reisado de Mucugê, manifestação cultural tradicional da Chapada Diamantina, e nasceu de uma relação afetiva construída desde a infância. Segundo ele, a tradição sempre esteve presente em sua vida por influência da família. “Minha mãe sempre levou a gente para acompanhar o reisado. Ela ajudava a organizar tudo. Então, além de ser uma manifestação cultural muito forte, existe um laço sentimental muito grande”, contou.
Para Pedro, a conquista representa a realização de um sonho construído ao longo da graduação. “Foi uma das coisas mais bonitas que me aconteceram nos últimos tempos. Essa conquista tem um sabor diferente, de sonho realizado, de orações atendidas”, afirmou.
O estudante também destacou o sentimento de representar não apenas a universidade, mas o jornalismo produzido no interior da Bahia. “O jornalismo do interior é o jornalismo do futuro. Se a gente não comunica com a nossa rua, com o nosso bairro, com a nossa cidade, a gente não consegue comunicar com um país inteiro”, disse.
Durante a produção da reportagem, Pedro teve ao lado a mãe e a irmã, que participaram de todo o processo de gravação. O estudante afirmou que esse foi um dos momentos mais emocionantes da experiência. “Foi muito bonito porque eu estava em casa e com a minha família. Teve muito amor e muita verdade nesse processo”, relembrou.
Ao transformar a tradição popular em narrativa jornalística, ele buscou chamar atenção para o risco de desaparecimento da cultura popular. “Quando a gente lida com cultura, a gente lida também com esquecimento. A principal relevância jornalística estava justamente na possibilidade do desaparecimento dessa tradição”, explicou.
Pedro também falou sobre a emoção de ter o trabalho avaliado por profissionais que admira, incluindo o jornalista Caco Barcellos. “Foi muito especial perceber que meu trabalho foi avaliado por eles e que talvez eles me quisessem ali. Isso me deixa muito feliz”, afirmou.
Segundo ele, um dos elementos que mais chamou atenção na reportagem foi a construção da narrativa, que começa mostrando a alegria do reisado e depois conduz o telespectador para uma reflexão sobre o esquecimento cultural e o medo do desaparecimento das tradições.
Apaixonado por comunicação desde criança, Pedro conta que sonhava em ser piloto de avião, mas descobriu cedo a vocação para o jornalismo brincando de repórter dentro de casa. “Eu pegava os microfones que tinha em casa e entrevistava todo mundo. Um dia minha mãe falou que eu podia trabalhar com aquilo. E eu não tive dúvidas de que esse era o meu caminho”, disse.
Para o estudante, iniciativas como concursos e editais ajudam a ampliar a visibilidade de jovens jornalistas do interior. “A gente precisa quebrar esse ciclo de que as oportunidades só estão nas grandes capitais. Contar a nossa história e a história da nossa gente também é importante”, destacou.
Sobre o futuro, Pedro afirma que o maior sonho como jornalista é contar histórias capazes de transformar vidas. “Todo acontecimento é feito por pessoas. Quero contar histórias que mudem o rumo da vida de alguém. Acho que essa é uma das maiores belezas da nossa profissão”, concluiu.