Cirurgião de empresária que morreu após cirurgia em Ilhéus já havia sido denunciado por pacientes em Vitória da Conquista
Médico foi alvo de denúncias em 2023 por complicações após procedimentos estéticos realizados em diferentes municípios da Bahia.
18:51 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
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O cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback, responsável pelos procedimentos realizados na empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, que morreu após uma cirurgia em Ilhéus, já havia sido alvo de denúncias de pacientes de diferentes municípios baianos, incluindo Vitória da Conquista.
Adriele vivia nos Estados Unidos e veio ao Brasil para realizar quatro procedimentos estéticos. A empresária não resistiu às complicações apresentadas durante a cirurgia e morreu na madrugada da última quarta-feira (26).
As denúncias contra o cirurgião vieram a público em março de 2023, quando pacientes de Vitória da Conquista, Itabuna, Salvador e Eunápolis procuraram autoridades para relatar complicações após procedimentos realizados pelo médico.
Uma das pacientes afirmou que colocou próteses de silicone nas mamas e passou por uma lipoaspiração na região abdominal. Após as cirurgias, ela relatou ter desenvolvido uma infecção grave e precisado passar por um procedimento de reparação.
Segundo a paciente, o médico teria realizado o procedimento sem anestesia. Na época, além dos relatos das mulheres, uma instrumentadora cirúrgica que havia trabalhado com o cirurgião plástico também apresentou denúncias contra o profissional.
O que diz a defesa?
Segundo informações divulgadas pelo g1, em relação à morte de Adriele, a defesa de Rossini Tebaldi Ruback afirmou que se solidariza com a família da empresária e declarou que o procedimento cirúrgico ocorreu sem intercorrências.
De acordo com os advogados, na fase final da cirurgia a paciente apresentou, de forma súbita, uma alteração grave no quadro clínico. A equipe médica teria identificado sinais compatíveis com hipertermia maligna, uma condição rara e potencialmente fatal associada à reação do organismo a determinados agentes utilizados em anestesia, e adotado imediatamente as medidas de emergência.
Os advogados também informaram que Rossini é médico cirurgião plástico regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM) e possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
O que diz a família de Adriele da Silva?
A tia da empresária, Ivanilda de Jesus, relatou à TV Santa Cruz que ficou horas sem informações sobre o estado de saúde da vítima e afirmou que não teve autorização para ver a sobrinha após a morte.
Conforme o advogado da família, o hospital informou que Adriele teria passado mal durante o procedimento. Diante das suspeitas dos familiares sobre as circunstâncias da morte, um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia.
O advogado também afirmou que, após analisar o relatório médico, identificou que o atestado de óbito não teria sido assinado por Rossini Tebaldi Ruback, responsável pela cirurgia.
Pronunciamento do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que não há processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica envolvendo Rossini Tebaldi Ruback em relação ao procedimento realizado em Adriele da Silva Pinto.
Sobre as denúncias apresentadas anteriormente, o conselho afirmou que os resultados foram comunicados às partes envolvidas, mas que os processos são protegidos por sigilo processual, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional (CPEP).
O Cremeb informou ainda que eventuais sanções de caráter público aplicadas ao médico serão divulgadas no site oficial da entidade e no Diário Oficial da União (DOU).
As circunstâncias da morte de Adriele da Silva e as condições em que o procedimento foi realizado deverão ser apuradas pelas autoridades responsáveis.