Vitória da Conquista lidera ranking nacional de loteamentos vazios, aponta IBGE
Em 2022, o município baiano apresentou 98,35 km² de áreas já parceladas e pouco ocupadas
16:30 Por Iasmin Oliveira Jornal Conquista
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Vitória da Conquista possui a maior extensão de loteamentos vazios entre os municípios brasileiros, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2022, eram 98,35 km² de áreas já parceladas, com vias identificáveis, mas ainda com pouca ou nenhuma ocupação por construções.
O número coloca o município à frente das demais cidades do ranking. Mossoró (RN) aparece na segunda posição, com 26,16 km², enquanto Planaltina (GO) ocupa o terceiro lugar, com 21,96 km². O levantamento faz parte do estudo Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, que utiliza imagens de satélite para identificar diferentes formas de ocupação do território.
O conceito utilizado pelo IBGE não significa que sejam terrenos abandonados. Os chamados loteamentos vazios são áreas que já passaram por parcelamento do solo e nas quais é possível identificar ruas e outros elementos urbanos, mas que ainda não apresentam ocupação significativa por edificações.
Dessa forma, o estudo permite observar áreas que podem representar novas frentes de expansão das cidades. A dimensão apontada pelo instituto também dialoga com diagnósticos realizados pelo próprio município durante estudos para o planejamento urbano.
Documentos utilizados na elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), durante a gestão do ex-prefeito, Herzem Gusmão, em 2020, identificaram grandes áreas loteadas e ainda não ocupadas dentro da área urbana de Vitória da Conquista.
Segundo o diagnóstico, parte desses espaços não contava, à época do levantamento, com toda a infraestrutura necessária, como abertura de vias, redes de água e esgoto e pavimentação. O estudo também classificou o crescimento da cidade como “acelerado e disperso“, apontando que os investimentos em infraestrutura não acompanharam, na mesma proporção, a expansão territorial.
A cidade ainda tem como referência o PDDU instituído em 2006, enquanto uma nova proposta está em tramitação na Câmara Municipal. O Projeto de Lei Complementar nº 24/2023 prevê a atualização das regras de planejamento e ordenamento territorial do município.
A proposta envolve temas diretamente relacionados ao crescimento da cidade, como uso e ocupação do solo, infraestrutura, mobilidade, habitação e organização do território. A ocupação de novas áreas significa, em muitos casos, a necessidade de ampliar serviços como abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, pavimentação, iluminação, transporte e equipamentos públicos.
Como o IBGE identifica essas áreas?
O estudo do IBGE classifica o território urbano em quatro categorias, são elas:
- Áreas urbanizadas;
- Loteamentos vazios;
- Outros equipamentos urbanos
- Vazios intraurbanos.
Para realizar a identificação, o instituto utiliza imagens de satélite e analisa características como a presença de ruas, construções e outras estruturas urbanas. Na edição de 2022, foram utilizadas imagens com resolução espacial de quatro metros, além de critérios atualizados para diferenciar os tipos de ocupação.
O mapeamento permite observar como as cidades brasileiras estão ocupando o território e identificar áreas que já passaram por processos de parcelamento, mas ainda não foram efetivamente ocupadas.